Fonoaudióloga


A fonoaudiologia sempre teve um estreito laço com a educação e, atualmente, a fonoaudiologia educacional vem ganhando cada vez mais espaço nas escolas brasileiras. A escola São José conta com uma fonoaudióloga em sua equipe pedagógica, Suelen Gindri Sirqueira.

Saiba mais sobre a atuação da profissional da Escola

(Entrevista publicada no informativo do São José -Novembro 2013)

 

Jornal - Uma fonoaudióloga, na escola, ainda é algo incomum. Qual o papel que desempenha no ambiente escolar?

A forma de aprender não é comum a todas as pessoas, e muitos são os fatores que podem dificultar o aprendizado escolar de uma criança, a fonoaudiologia educacional vem para auxiliar a equipe pedagógica a detectar e prevenir alterações que possam ocasionar dificuldades no processo de ensino aprendizagem, bem como planejar ações que auxiliem o aluno e a família.

 

Jornal - Poderia citar algum fator de risco que pode atrapalhar no desenvolvimento escolar?

O atraso no desenvolvimento da fala é um fator de risco, porque, durante a alfabetização, a criança utiliza constantemente da fala para escrever, se esta estiver alterada, pode ocasionar troca de letras, omissões, um vocabulário diminuído e dificuldades no desenvolvimento da consciência fonológica.

 

Jornal - E as crianças que já apresentam estas alterações, ainda podem ser ajudadas?

Sim, mas para isso, às vezes, é necessário um apoio extra sala de aula, com atividades específicas para as dificuldades apresentadas pelo aluno.

 

Jornal - Como é feito este apoio extraclasse?

Aqui, no São José, temos a seguinte conduta: todos os semestres, os alunos passam por um teste de sondagem para análise da escrita, compreensão e elaboração textual. O teste é corrigido pela professora de sala e pelas professoras do apoio pedagógico. Em seguida, são discutidos comigo e com a coordenação. Depois, chamamos os alunos que apresentaram maiores dificuldades, para que eles compreendam como será realizado o trabalho para sanar as dificuldades. Então, a criança é convocada para os apoios, que são realizados no contra turno.

 

Jornal - E o que o apoio tem de diferente dos conteúdos de sala?

No apoio, são realizadas atividades específicas para a dificuldade do aluno, com a utilização de um material diferenciado. Muitas vezes, este material é elaborado por mim. Assim, damos ao aluno a oportunidade de rever e aprender de uma forma diferente o assunto que não conseguiu desenvolver de forma satisfatória em sala de aula.

 

Jornal - E se o aluno continuar com a dificuldade?

Então os pais são chamados novamente para discutir a situação e encaminhar para profissionais que nos auxiliem nesta missão de ensinar. Sempre procuramos manter contato com os profissionais que atendem nossos alunos para auxiliá-los da forma que for possível.

 

Jornal - A sua presença na escola está ligada também às novas realidades geradas com a Lei de Inclusão?

A inclusão é um direito de todos os alunos. Mas ela deve ser feita de maneira real. Não só direcionada ao aluno especial. São necessárias adaptações de material, provas, estilo, aula e preparação do profissional. A escola tem buscado isso e faço parte deste planejamento da instituição para receber bem todos os alunos que optaram por confiar sua educação a nós.

 

Jornal - Você pode realizar atendimento fonoaudiológico na escola?

Não. O Conselho Federal de Fonoaudiologia veta o atendimento clínico-terapêutico dentro das Instituições de educação. Este tipo de atendimento é permitido somente nas escolas de educação especial. O fonoaudiólogo pode realizar triagem no âmbito escolar e esta deve ter um caráter complementar ao trabalho fonoaudiológico existente, como, por exemplo, as sondagens semestrais realizadas e as triagens de fala solicitadas por pais e professores para, se necessário, realizar encaminhamento, visando caracterizar o perfil da comunidade escolar.

 

Jornal - Como é a relação do professor com o seu trabalho?

O professor é, sem dúvida, a pessoa mais importante no processo de aprendizagem do aluno. A minha função é auxiliá-lo, dar ideias, ajudar nas adaptações, organizar temas para estudos e debates. A vida escolar do aluno depende de uma equipe. E nela estão pais, professores, coordenação, direção. Sinto-me lisonjeada em também, junto com a psicóloga, ser o diferencial que a escola São José tem a oferecer para seus estudantes.